Classifique, Gerencie e Facilite a Escolha de Repertório dos Alunos com o Notion

Você também costuma acumular novidades de repertório didático para seus alunos, mas com o tempo acaba esquecendo-se de tudo o que tem à disposição e acaba recorrendo sempre às mesmas peças? Bem, eu sou essa pessoa. Quando vou à congressos, visito blogs ou sites, sempre descubro novo repertório (quilos deles, aliás). O volume é tão grande que muitas vezes acabo nem conseguindo conhecer tudo o que adquiri e lá vem mais um novo livro pra biblioteca.

Seria ótimo uma ferramenta (de preferência digital para facilitar na hora de adicionar novos registros e mantê-los em ordem) que permitisse não apenas adicionar o nome da peça e informações como nível, tonalidade e fórmula de compasso, mas também tags pessoais que facilitasse na hora de escolher peças para diferentes situações e diferentes perfis de alunos, não é?

Recentemente meu marido me apresentou o Notion, uma ferramenta poderosíssima para organizar absolutamente qualquer coisa na sua vida. Eu fiquei encantada com as possibilidades e uso o Notion de diversas maneiras. Hoje gostaria de falar especificamente de como estou usando para organizar os livros de repertório que tenho à disposição, mas primeiro gostaria de compartilhar algumas vantagens em se utilizar o Notion para organizar tanto sua vida pessoal como profissional:

  • O plano gratuito dele oferece muitas opções, diferente de muitas outras plataformas que disponibilizam ferramentas limitadas na versão gratuita.
  • É fácil de aprender e oferece uma página introdutória para você começar a dar os primeiros passos aprendendo sobre os blocos e as páginas.
  • O céu é o limite, você consegue fazer muitas coisas com ele com automação, integração com outras plataformas, banco de dados, etc.

Como Criar Uma Base de Dados de Repertório no Notion

Quando você abre o Notion pela primeira vez vai criar o seu primeiro espaço de trabalho. A primeira coisa que você vai precisar fazer para criar sua base de dados de repertório é adicionar ao seu espaço de trabalho uma nova base de dados clicando em “Adicionar Nova” e depois escolhendo “Base de Dados”. Para começar, coloque nessa Base de Dados alguma informação pertinente como Nome da Peça, mas não se preocupe em colocar todas as informações que você precisa agora, pois isso será customizado depois.

A seguir você precisa criar uma maneira de visualizar essa base de dados. Porque não visualizar direto a base de dados? Não sei também, mas meu marido me ensinou a fazer assim e ele é da área de TI, então confia. Crie uma nova página: clique novamente em “Adicionar Nova” e agora escolha “Página”. Dê um título para sua Página e no corpo dela digite / para abrir a lista de comandos. Procure por “Visualização Integrada da Base de Dados” e em “Vincular uma base de dados” selecione a Base que você acabou de criar.

Prontinho, agora você pode customizar criando propriedades para todas as informações que você acha pertinente em anotar sobre cada peça. O melhor é que as propriedades podem ser em diferentes tipos, por exemplo, para as tonalidades que são limitadas eu escolhi o Tipo “Selecionar”. Então todas as tonalidades são apresentadas em uma lista e basta eu clicar para o campo ser preenchido. Sobre o uso de pedal, eu escolhi o tipo “Caixa de Seleção”, pois posso simplesmente marcar as peças que usam deixar vazio as que não usam. Para informações como título, autor ou álbum, deixei em texto. Claro, criei uma propriedade do tipo Tag para colocar diversas informações que acho relevantes como o caráter, a figura rítmica mais curta, andamento…

Atenção: Você não irá mais lidar diretamente na Base de Dados, apenas nessa página de visualização. Para adicionar uma nova peça você irá criar uma nova página na tabela. Depois basta preencher as propriedades.

Por fim, o que acho o melhor: filtrar e procurar uma peça com as características tais como você precisa para uma situação específica. Clique na lupa e digite as informações que você deseja que a peça contenha, ou filtre pelas propriedades específicas que você mesmo criou!

Espero que tenha gostado de conhecer essa ferramenta. Deixa aqui nos comentários se ficou alguma dúvida, se você pretende usar o Notion desta forma ou, se você já o usa de outra forma, compartilhe aqui conosco também! Eu ainda não terminei de catalogar todas as minhas peças. É muito livro!!! 😱 Mas tenho certeza que a Pietra do futuro vai me agradecer por isso.

Eu paro de chorar e volto a estudar

Logo após a pandemia, naquele período em que as coisas pareciam estar normalizando, mas muitos alunos ainda preferiam a comodidade da aula online, eu acabei optando por fazer a mudança mais louca da minha vida (muito mais louca do que a de ter mudado de estado): eu simplesmente parei de dar aulas.

Sim! Você leu certo! Eu encerrei minhas atividades como professora de piano; pendurei as chuteiras.

Mas, parafraseando Edward Albee, às vezes é necessário ir uma distância muito longa fora do caminho para voltarmos uma distância pequena corretamente. Sim, às vezes é necessário certo afastamento para a gente perceber a importância de determinadas coisas na nossa vida. Foi assim comigo com as aulas. Dar aulas de piano pode ter suas dificuldades (e tem!), você, meu amigo professor de piano, sabe muito bem o quanto tem, não é mesmo? Não preciso listá-las. Mas é justamente a dificuldade que faz com que os resultados nos tragam tanta satisfação em fazer o que nós nos empenhamos em fazer.

Parando para pensar foi bom eu ter parado. Deixe-me explicar.

Há muito tempo atrás eu fiz um exercício e escrevi o meu objetivo pessoal como professora de piano: ajudar com que os alunos desenvolvam autoconfiança e a autoeficácia através do aprendizado de peças e resoluções de problemas ao piano. Em suma, eu queria sentir que eu contribuía para o desenvolvimento da autoestima. Eu só fui capaz de perceber que eu estava conseguindo realizar meu objetivo durante esse período em que parei de dar aulas, recebendo mensagens dos alunos e olhando fotos e gravações antigas das aulas.

Agora estou na fase de recomeçar, e ela envolve todos os temores do início de carreira: será que eu tenho material o suficiente? Será que ele vai gostar de tocar essa peça? Será que o aluno vai gostar de mim? Será que esse plano de aula é o suficiente para 50 minutos? Sinto-me até esquisita sendo novata de novo. rs

Contudo, estou feliz em anunciar que estarei de volta aqui, compartilhando tudo o que puder sobre experiências, dicas de organização, dicas de jogos, dicas de materiais, etc…

Seja bem vindo de volta ao Pianizar 2.0!

Para encerrar vou compartilhar uma interpretação que eu amo da peça Estudo para Piano de Tim Rescala, cuja última frase deu título à esta primeira postagem.

Resenha: Lyric Moments de Catherine Rollin

Particularmente fico muito animada quando meus estudantes terminam seus métodos e peças de nível elementar e se mostram prontos começar a trabalhar com peças de nível intermediário. Contudo encontrar peças que não deem um salto descomunal no nível de dificuldade provocando frustrações por serem demasiadamente desafiadoras, mas que também não sejam fáceis de mais a ponto de não adicionar nada de novo ao aluno e, ainda, que soem bonitas e agradáveis de tocar é um desafio para mim.

Outra situação que eu sempre evito é o de repetir músicas entre alunos. Algumas são tão primorosas que é realmente difícil deixar de incluí-las no repertório de diversos alunos, mas pessoalmente não gosto de ficar ouvindo sempre as mesmas músicas. Além disso, a repetição me faz sentir como se eles ainda estivessem seguindo um método rígido.

Para evitar essas situações estou sempre procurando por peças novas. Hoje venho compartilhar com vocês uma coleção que tenho utilizado com frequência para escolher peças para meus alunos de nível intermediário: Lyric Moments.

São 22 peças organizadas em 3 volumes que podem ser facilmente encontradas no site da Amazon. Gosto de utilizá-las porque têm melodias amáveis, que fixam na cabeça (ou no ouvido) e que são simples de ler. A mão esquerda trabalha principalmente com padrões de acompanhamento com acordes abertos, muito comuns em diversos arranjos de música popular e em peças do período romântico e que dão uma sonoridade e um preenchimento muito bonitos!

Você já conhecia essas peças? Quais são as tuas preferidas?

VII EIPIRA (3) – 2020 – Repertório Didático Brasileiro: Chiquinha Gonzaga

Ter conhecido a possibilidade de utilizar as valsas e os tangos da compositora brasileira Chiquinha Gonzaga de maneira pedagógica foi sem dúvidas um dos maiores enriquecimentos do VII Encontro Internacional de Pianistas de Piracicaba. Ana Paula Simões, autora do blog Pianolândia, apresentou no encontro o resultado de sua pesquisa acadêmica onde analisou aspectos pianísticos que contribuem para a formação técnica, musical e de leitura de alunos de piano e classificou a obra de Chiquinha em níveis de dificuldade. Além disso apresentou-nos uma breve biografia da autora e execuções de algumas das danças analisadas.

As valsas são escritas no estilo europeu, possuem diversos estilos, desde lentas e sentimentais a rápidas e brilhantes, e apresentam pouca dificuldade para leitura, o que permite um foco maior em aspectos técnicos e interpretativos.

Os tangos requerem maior habilidade rítmica, pois utilizam síncopes e também gingado. Eles podem servir como repertório preparatório para peças de nível mais avançado.

A obra de Chiquinha possui poucas indicações de andamento, dinâmica, articulações, o que dá margem para muita experimentação com os alunos.

Sabe qual o melhor? Todas essas peças podem ser baixadas gratuitamente no site ChiquinhaGonzaga.com.

VII EIPIRA (2) – 2020 – Ensinando piano virtualmente

Um tema que está muito em voga e que foi muito oportunamente abordado no VII EIPIRA foi o ensino de piano online. Particularmente penso que a própria realização do evento é a prova de que, sim, é muito possível ensinarmos piano virtualmente.

Gostaria de compartilhar com vocês algumas das valiosas sugestões e orientações que recebi no evento. Devo dizer que a primeira e a mais importante é:

Comece agora com o que você tem”.

Sim, o primeiro passo é o mais importante, é enxergar na situação adversa da pandemia uma oportunidade de continuar a ministrar suas aulas com as ferramentas que você dispõem no momento. Se tem apenas um celular, está ótimo, você já tem uma câmera com microfone e poderá dar aulas até mesmo por vídeo chamada no WhatsApp. Com o tempo você certamente poderá investir e aprimorar seus equipamentos.

Se sua internet não for muito favorável ou a plataforma que você utiliza não lhe permite ouvir com clareza aquilo que os alunos tocam, você pode mesclar tarefas assíncronas, e pedir para que os alunos sempre gravem o repertório e o envie antes da aula para que você possa ouvir e analisar sua execução com maior qualidade sonora. A responsabilidade de ter de gravar possivelmente também fará com que seu aluno estude mais e melhor, pois ele certamente não irá querer enviar uma gravação medíocre para você.

Não perca a ludicidade das aulas, adapte jogos para a versão online ou encontre aplicativos que você possa utilizar em aula com seus alunos. Aqui no blog você certamente encontrará muitas sugestões para isso, como por exemplo a atividade Sons graves, médios e agudos – Jamboard.

Aproveite a maior atividade na internet para manter-se conectado aos alunos e aos pais, programando avisos e guias para estudo em casa. Você pode também enviar desafios utilizando ferramentas como o Instastories, veja um exemplo aqui.

Além disso, você certamente irá se surpreender com o tanto que seus alunos irão aprimorar habilidades de leitura devido à impossibilidade de você simplesmente apontar na partitura informações, trechos ou notas específicas. Seus alunos precisarão encontrar trechos específicos através de informações verbais, em contrapartida você certamente aprimorará suas instruções, pois precisará ser muito mais específico e sucinto.

Você já começou a dar aulas online? Como está sendo sua experiência?